Garde le Silence                                                              Le Silence te gardera

 

 

                                                                                                                                     

JEAN-BAPTISTE  MORIN DE VILLEFRANCHE

 

« Sol et homo generant hominem. »

“O Sol e o homem geram o homem.” 

Aristóteles

 

 

Jean-Baptiste Morin de Villefranche nasceu às 8h33m GMT do dia 23 de Fevereiro de 1583 em Villefranche-sur-Saône, Beaujolais, França - 45N59, 4E43, segundo nos informa na sua própria autobiografia, e morreu às 2 da manhã  do dia 6 de Novembro de 1656, em Paris, morte que foi por ele predita para esse mesmo dia.

 

Começou por estudar filosofia, passando depois à medicina, profissão que lhe granjeou elevado respeito, mas que nunca o fez feliz:  “...quando o regente da décima está na doze, a profissão do nativo será a causa do seu infortúnio, ou abandona-a ou perde-a, que foi o que me aconteceu na profissão médica, porque Saturno era regente da décima e estava na doze.”

 

Aos 35 anos começou a estudar Astrologia e pouco depois tornou-se famoso por ter predito o encarceramento do Bispo de Bolonha na data exacta em que tal aconteceu, impressionando a rainha Maria de Médicis de tal forma que esta fez com que o rei o nomeasse Professor de Matemáticas no Colégio Real de Paris em 1629, tornando-se também astrólogo da corte, posto que ocupou até morrer aos 73 anos.  Durante esse período, serviu Henrique IV, Louis XIII, Louis XIV, o Cardeal Richelieu e o seu sucessor, o Cardeal Mazarin.  As suas predições eram de tão precisas que chegou a ser secretamente introduzido por Richelieu no quarto em que a rainha dava à luz ao futuro Rei Sol Louis XIV, de forma a que o seu horóscopo fosse levantado com exactidão.

 

Entre as suas outras predições mais conhecidas encontram-se a da morte no cadafalso de Cinq Mars, o favorito de Louis XIII e a morte violenta do rei da Suécia Gustavus Adolphus na batalha de Lützen, amplamente mencionadas na Astrologia Gallica, mas o caso mais curioso e que lhe valeu a publicação desta obra mestra em que investiu trinta anos da sua vida aconteceu com Louise Marie de Gonzague, que o interrogou sobre uma proposta de casamento com um príncipe de sangue real;  Morin respondeu-lhe que tal união não aconteceria, visto já lhe ter dito anteriormente que ela se casaria com um rei.  O casamento com o príncipe foi cancelado e ela veio a casar com Wladislaus IV, rei da Polónia.

 

Sobre os progenitores serem necessariamente representados pelo Sol e Saturno para o pai e pela Vénus e Lua para a mãe, conforme a genitura fosse diurna ou nocturna, diz o seguinte:  “Considerem o meu próprio horóscopo:  eu nasci durante o dia e o Sol, a Lua, Mercúrio, Vénus e Saturno estão na 12ª casa, e em quadratura a Marte, que rege o Ascendente.  A Lua é, por conseguinte, o significador dos progenitores, porque é o regente da quarta, e da minha mãe em especial, visto que a Lua é feminina e está localizada no signo feminino de Peixes;  a sua separação da conjunção de Saturno enquanto não se aplica a qualquer outro planeta indica desamor da parte dos meus progenitores – particularmente da minha mãe – e um tratamento desleal às suas mãos.  No entanto, o Sol está em conjunção partil com Júpiter, e isto fez com que o Cardeal Richelieu se tornasse no meu inimigo secreto, visto que este Sol está na 12ª juntamente com Saturno.  O Sol, aqui, é o significador de poderosos inimigos e dos prejuízos causados por eles, mas não do meu pai, apesar de ter nascido durante o dia;  na realidade, o meu pai nunca desgostou de mim e nunca me fez qualquer mal deliberadamente.  E assim, este horóscopo é um exemplo de como os significadores universais não são capazes de referir qualquer situação ou evento específico, visto que, considerados apenas por si sós, o seu significado e aplicação permanecem excessivamente gerais.”

 

A sua rivalidade em relação a Richelieu, nascido em Paris a 9 de Setembro de 1585, às 9:18:21 GMT, não resultava apenas do facto deste ter feito com que lhe fosse negado o prémio que lhe tinha sido inicialmente destinado pelos estudos feitos sobre a forma de determinar com precisão a longitude no mar, circunstância que o alienou da comunidade científica.  Devia-se também ao carácter do Cardeal, cuja morte a 4 de Dezembro de 1642 foi predita por Morin com uma diferença de dez horas, baseando-se na revolução solar daquele “que, tendo iniciado guerras por toda a Europa, foi a causa da morte de tantos milhões de homens pelo ferro, fogo, fome, pestilência e outras causas” e sobre cujo poder disse que “quando o regente da doze está na décima, os inimigos, o exílio, a prisão ou os infortúnios serão a causa da honra e da promoção, como foi o caso do Cardeal Richelieu, cuja Vénus era regente da doze e estava no MC.  E, similarmente, o regente da onze na doze transforma os amigos em inimigos, que foi o que me aconteceu.”

 

Sobre si próprio, Morin fala com uma franqueza surpreendente:  “E, na minha própria vida, um quase constante desejo de fama é mostrado no meu horóscopo por Marte regendo o Ascendente enquanto está localizado no signo da exaltação de Júpiter, e todos os outros planetas excepto Mercúrio no signo da exaltação de Vénus, que é co-regente da primeira;  mas talvez principalmente através da exaltação do Sol e da Lua na primeira casa, referindo-se evidentemente ao meu carácter e temperamento.  Como resultado, sou excessivamente inclinado a considerar-me superior aos outros devido aos meus dotes intelectuais e conquistas científicas, e é muito difícil para mim lutar contra esta tendência, excepto quando a tomada de consciência dos meus pecados me perturba e me vejo como um homem vil e digno de desdém.  Por causa de tudo isto, o meu nome tornou-se famoso em todo o mundo.”

 

Morin nunca casou, mas envolveu-se em muitas aventuras amorosas, sendo salvo de dois ferimentos pela espada em 1605, segundo ele, pela presença dos benéficos na casa doze:  “Um exemplo disso é o meu próprio horóscopo onde Vénus, Sol, Júpiter, Saturno e a Lua estão na décima segunda casa.  Já tive várias doenças graves que foram difíceis de curar e mais de uma vez fui quase parar à prisão devido a loucuras de juventude, pelo menos dez vezes estive perto de uma morte violenta e tenho experimentado todo o tipo de perigos.  Alistei-me dezasseis vezes ao serviço de outros, o que é uma coisa pouco diferente do encarceramento ou do cativeiro, e tive muitos inimigos devido à inveja, e nobres que me trataram injustamente – um dos quais foi o Cardeal Richelieu.  Saturno da casa doze provocou todas estas coisas porque tem uma analogia com estes males;  mas sempre iludi o males piores graças a Júpiter e a Vénus em bom estado celeste, e é verdade que fui resgatado do perigo de uma morte violenta em mais de cinco ocasiões pela divina bondade e misericórdia – uma vez miraculosamente, quando fui atirado de cima de um cavalo e corri o maior perigo de morte...  Quando os maléficos Marte e Saturno dizem respeito a alguma coisa boa, é desfavorável a não ser que estejam em bom estado celeste;  mas mesmo a despeito disso, se estiverem em quadratura ou oposição ao Sol, Lua, Ascendente ou MC ou aos seus regentes, provocam sempre coisas nefastas.  Mesmo quando estão conjuntos aos benéficos não perdem toda a sua malignidade, como é mostrado no meu próprio horóscopo em que Marte está em trígono a Júpiter, mas este último está conjunto a Saturno;  e apesar disso, de Saturno e Marte tenho sofrido e ainda sofro de abundantes males...       As experiências que ilustram estes factos ocorrem frequentemente, mas falarei aqui apenas da minha própria.  Eu tenho Júpiter e Vénus na doze em Peixes – o domicílio de Júpiter e a exaltação de Vénus – e já fui salvo de muitas doenças graves e consegui frequentemente evitar o encarceramento.  Consegui a vitória sobre os inimigos ocultos, mesmo os muito influentes representados pelo Sol, de modo que apesar de todo o seu poder e má vontade, foram incapazes de me causar um mal irreparável.  Mas em todo o tipo de serviço aos outros tenho sido sempre infeliz, com a única excepção de duas ocasiões, quando era um jovem e estudante.

 

Quanto ao livre arbítrio, Morin defende a astrologia como sendo capaz de predizer os acontecimentos futuros, mas respalda-se em Ptolomeu para contornar esta delicada questão:  “Pois se o horóscopo não for uma causa eficiente, como é que estas coisas aconteceriam em conformidade com as configurações celestes?  No entanto, devido ao facto de uma causa só agir em concordância com a disposição do sujeito, conclui-se que é possível resistir à condição celeste, como o próprio Ptolomeu evidenciou no aforismo 5 do Centilóquio, quando afirmou:  “Aquele que tem conhecimento pode evitar muitos dos efeitos das estrelas através da compreensão da sua natureza e preparando-se antes de tempo.”  Por conseguinte, estes sinais ou causas não são de todo inevitáveis – como muitos pensam – erro esse que é também condenado pela Igreja.”

 

“Agora vamos perguntar se as estrelas indicam com certeza os acontecimentos futuros na vida de um indivíduo.  Eu creio que a resposta é “não,” de outra forma teria que ser admitido um inexorável fatalismo e a afirmação de Ptolomeu dada acima não seria verdadeira.  Pois as estrelas não indicam a possível resistência de um homem contra o seu poder através da prudência e da razão divinamente iluminada;  elas podem mostrar, por exemplo, uma doença ou uma altercação num determinado momento, mas não podem mostrar simultaneamente que não haverá altercação, ou que, graças à prudência e à ingestão de medicamentos apropriados, a saúde da pessoa possa ser salvaguardada.  O facto é que, daquelas coisas que podem acontecer a um homem na vida, algumas não estão dentro seu poder – tais como quem são os seus irmãos ou inimigos, ou a sua morte, ou ocorrências fortuitas – enquanto outras estão dentro do seu poder, no sentido de que podem depender da sua livre vontade – tais como as suas finanças, filhos, criados, esposa, litígios, combates, viagens e honras profissionais.  Estas questões são extrínsecas relativamente ao nativo, visto ele ser capaz de fazer uma escolha livre a respeito delas e poder evitá-las ou rejeitá-las apesar da influência das estrelas poder dar-lhe uma grande inclinação para fazer o contrário.”

 

“Mas as indicações das estrelas inclinam ou predispõem tão fortemente o nativo que pelo menos a inclinação pode ser afirmada com considerável certeza.  E dos possíveis efeitos concomitantes com tal inclinação, aqueles que não estão dentro do poder do nativo acontecerão com a maior certeza, enquanto aqueles que dependem da sua própria vontade terão um resultado mais duvidoso.  No entanto, como a maioria das pessoas geralmente se comportam de acordo com a disposição estelar, e como o homem é normalmente ignorante daquilo que ele próprio é – ou seja, da sua própria natureza, assim como das coisas que estão destinadas a acontecer-lhe – não faz o suficiente para se opor a acontecimentos futuros desagradáveis.  E como é árduo resistir às propensões naturais de cada um, muito poucos iniciam sequer o esforço, muito menos persistindo nele com perseverança.  Por conseguinte, as predições astrológicas tornam-se frequentemente verdade;  pois as causas inferiores e particulares são claramente obedientes ao poder das causas superiores e universais – esta é a lei da natureza – apesar de todas as predições serem de facto meramente conjecturais e ninguém poder predizer seja o que for com certeza.”

 

Apresentam-se agora os seguintes livros da gigantesca obra deste autor:

 Astrologiae Gallicae

 

Livro 18:  As Fortalezas dos Planetas.    ISBN 972-8861-13-3

Livro 21:  As Determinações Activas dos Corpos Celestes e as Determinações Passivas do Mundo Sublunar.    ISBN 972-8861-06-0

Livro 22:     Direcções    ISBN 972-8861-17-6

Livro 23:  As Revoluções das Natividades.    ISBN 972-8861-14-1

 

Os dois primeiros títulos estão encadernados no mesmo volume, de modo a tornar a obra mais económica para estudante.

 

DEPÓSITO LEGAL Nº 220614/04

 

 

 

 

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Last modified: 04/04/05